

Pagode dos anos 90 é redimensionado em série documental como movimento transformador do samba e da sociedade
Quando o pagode começou a fazer muito sucesso nos anos 90, isso me ajudou a me entender como preto, a ter mais orgulho de ser preto. O pagode dos anos 90 vai muito além da música. É um movimento transformador da sociedade”, analisa Thiaguinho em depoimento ouvido quase ao fim do terceiro e último episódio da série documental “Anos 90 – A explosão do pagode”
A fala de Thiaguinho, cantor projetado nacionalmente em 2003 como vocalista do grupo Exaltasamba, dá o tom reflexivo do documentário dirigido por Emílio Domingos e Rafael Boucinha. A série examina e redimensiona o pagode da década de 1990 como um movimento que transformou o samba e, como diz Thiaguinho, a própria sociedade.
Os protagonistas do gênero debatem a própria trajetória à luz da perspectiva do tempo. Ainda no terceiro episódio, “O show tem que continuar”, Netinho de Paula – entrevistado que se destaca pelas falas capazes de sintetizar fatos e momentos – se emociona ao ver uma apresentação do Negritude Junior, grupo que o revelou nos anos 1990, no programa “Domingão do Faustão” (TV Globo), e reflete sobre a própria trajetória com viés crítico.
“Que tempo bom! Como foi rápido... A minha saída do Negritude Junior para seguir carreira solo não era para ter acontecido. Era para a gente ter continuado juntos até hoje. Mas eles acharam que eu estava muito maior do que o grupo e fui convidado a me retirar”, lembra Netinho, ressaltando que todo o trabalho do Negritude Junior também passa pela questão identitária, inclusive pelo fato de o grupo ter absorvido códigos da black music norte-americana.